PROCURADORA APOSENTADA ACUSADA DE ESPANCAR SUA FILHA GERA INDIGNAÇÃO NACIONAL

Caso ocorrido no Rio de Janeiro reacende debates sobre adoção e violência doméstica

Por: Luciana Malavasi

 Foto: http://www.clickpb.com.br/artigo.php?id=20100602121147&cat=policial&keys=juiz-nega-pedido-prisao-domiciliar-procuradora-advogado

        A violência doméstica é um problema grave que atinge milhares de pessoas principalmente mulheres e crianças em várias partes do mundo. Segundo o Ministério da Saúde, as agressões ainda são a principal causa de mortes de jovens até 19 anos. A estimativa da UNICEF é que aproximadamente 18 mil pessoas sejam espancadas por dia no Brasil.

      Na maioria dos casos de violência entre cônjuges, as mulheres espancadas pelos maridos têm problema de baixa auto-estima ou dependência financeira. Mas é a violência contra crianças que ainda causa mais indignação. Um caso recente foi o da procuradora aposentada acusada de espancar sua filha adotiva de apenas 2 anos de idade.

     Vera Lúcia Sant’Anna Gomes, de 57 anos, moradora de Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro foi acusada por ex-empregados de sua casa por maus tratos a uma criança que a chamava de mãe. Uma gravação que foi feita dentro de seu apartamento mostra um dos momentos em que a ex-funcionária pública agride a menina com tapas e xingamentos durante a refeição.

– Maluca! Engole! Você vai comer tudo, entendeu? Sua vaquinha! Pode chorar! Sua cachorra! – grita, supostamente, Vera Lúcia. (Fonte: clicapiaui.com/policia)

      A denúncia foi feita através de um telefonema anônimo ao Conselho Tutelar que retirou a criança da casa imediatamente. Vera Lúcia foi indiciada e condenada por tortura e por racismo contra seus empregados. A procuradora estava há apenas um mês com a criança e os exames de corpo e delito comprovaram as agressões.

      Muitos fatores contribuem para que casos como este continuem acontecendo. A negligência da família em relação as crianças, por exemplo, e a falta de controle do governo em punir os agressores ou até mesmo a falta de educação da população tornam a violência doméstica uma constante em países como o Brasil.

      A desorganização familiar leva muitos pais a praticarem este tipo de violência. Muitas mães são obrigadas a largarem seus filhos durante o dia inteiro para se dedicarem ao trabalho e isso acaba gerando uma falta de relação afetiva entre mãe e filho o que gera sérias conseqüências.

      O comportamento dos pais durante a infância de seus filhos pode causar problemas na vida futura da criança. Muitas vezes a pessoa que sofre um trauma quando criança não consegue ter uma vida adulta normal e acaba fazendo o mesmo com seus filhos.

    Em uma entrevista concedida no programa “Espaço Aberto” a psicóloga Maria da Penha de Oliveira, coordenadora técnica do núcleo de adoção da ONG “ Berço da Cidadania” falou sobre a nova lei de adoção:

“A primeira novidade é observar em um período de 2 anos qual será o destino dessa criança. Ou seja, de 6 em 6 meses o juiz terá que justificar o porquê daquela criança ainda estar no abrigo. Antes só era justificada a entrada e a saída da criança, por isso, elas ficavam lá por períodos indeterminados. E é por isso que existem tantos jovens que já passaram da idade de adoção e que continuam nos abrigos. A nova lei garante um cadastro nacional que mostrará quem são essas crianças e os casais que pretendem adotá-las terão que passar por um curso para saber o que é realmente o ato da adoção. Ainda existe uma confusão muito grande das pessoas em como tratar essa questão. A idéia é fazer uma campanha incentivando e explicando como é a adoção. No Brasil principalmente existe tantos pais querendo filhos e tantos filhos querendo pais e a coisa não acontece”

E sobre a promotora Vera Lúcia:

“O que aconteceu no caso da promotora foi um erro geral. Todo mundo errou. O ministério público deu parecer favorável, o juiz deu parecer favorável, não existia visita de assistente social porque se não já teriam detectado que aquela criança estava sendo vitima de tortura. Aquilo não era apenas maus tratos não, era tortura! Isso é revoltante! Aquela criança agora, para criar um novo elo com uma nova família vai sofrer muito”.

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